terça-feira, 26 de junho de 2007

Fichamento texto 3: As transformações da Geografia no Brasil: Pesquisa, Ensino e Formação do Professor.


O texto mostra como que a disciplina de geografia surgiu no contexto histórico brasileiro e que esta criação se deu em 1934 com a fundação da USP, e em 1946 com a criação do departamento de geografia na mesma instituição. E nos remete também a criação da AGB (associação dos Geógrafos Brasileiros) neste mesmo período, estes seriam os propulsores da geografia no Brasil.A partir da criação da USP surgiu o bacharel em geografia, cargo até então ministrado por engenheiros, médicos, seminaristas e acadêmicos de direto.Segundo o autor, para Aroldo Azevedo a geografia ensinada naquela época era a geografia dos livros, portanto tornava-se apenas descritiva.

Este período é conhecido como “A Pré-história da geografia”.O autor cita Pasquale Petrone, que escreveu sobre a produção de livros didáticos antes de 1934, fazendo uma critica devido à baixa qualidade desses livros, com exceção aos livros de Delgado de Carvalho que tinham um caráter inovador.Delgado de Carvalho participou do movimento da Escola Nova pelas reformas do ensino na década de 30, discutindo a urgência da Geografia tornar-se uma ciência. Propôs que o território brasileiro fosse estudado através das regiões naturais. No Brasil, foi a partir de 1930 que a Geografia começou a ter seu caráter cientifico com as primeiras faculdades de filosofia, o Conselho Nacional de Geografia, o IBGE e a AGB.A geografia deste período era regida pela metodologia francesa, e em 1942 esta geografia estava dividida em geografia humana, física e do Brasil.

Nas décadas de 40 e 50 os estudos tinham um enfoque mais regional, com publicações feitas pelo IBGE, Pelo boletim geográfico, Boletim Paulista de Geografia – BPG.Segundo Pasquale Petrone a criação da Geografia moderna se da com as transformações político-econômicas e territoriais da Europa no século XIX.Neste período vários autores produziam idéias distintas para tentar compreender ou dar sustentação as modificações ocorrentes no mundo. Como Humboldt, procurando estudar o Globo sem dar destaque ao homem, Ritter, realizando estudos comparativos entre as regiões diferenciadas, procurando explicar as formas de ocupações. Marx, analisando o sistema capitalista em plena expansão e buscando explicações das relações existentes entre o homem e a natureza, Ratzel, com criação e propagação das idéias deterministas, reduzindo o homem a um animal sem considerar suas qualidades específicas, entre outros.Durante o século XIX o centro de discussão da Geografia, na Europa, concentrou-se na Alemanha, mas a França buscava o seu espaço.

Com a reforma efetiva da Terceira República, a geografia foi colocada como disciplina em todas as series do ensino básico.O autor que exerceu grande importância na Geografia brasileira neste período foi Vidal de La Blache, que estudava a relação homem-natureza numa perspectiva da paisagem, sendo o homem um ser ativo sofrendo influência do meio, que também o transforma. As idéias vidalinas e de seus seguidores deram base para a consolidação da Geografia Tradicional no Brasil, que nortearam as pesquisas das primeiras gerações de cientistas brasileiros e o trabalho pedagógico dos docentes.Pontuschka expõe de maneira contundente que em meados da década de 1950, “o espaço geográfico mundializado pelo capitalismo monopolista tornou-se complexo e as metodologias propostas pela Geografia Tradicional não eram capazes de apreender estas complexidade”.(1994, p.47).No entanto, mais importante do que as novas técnicas disponíveis para as analises espaciais foi à reflexão teórico metodológica intensificada, no Brasil, a partir da década de 70. No estado de São Paulo, reuniu-se um grupo de geógrafos do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia de Rio Claro, que fundaram a AGETEO, e produziram e 1971, o 1º boletim da Geografia Teorética, utilizando procedimentos quantitativo em suas analises.

Buscavam nos métodos estatísticos e nos modelos matemáticos uma analise, segundo eles, mais rigorosa do espaço. Valorizam os recursos da cibernética, da teoria da informação e das comunicações. Esses autores acreditavam que, com essa perspectiva teórica, eliminariam as dicotomias da Geografia: em relação ao objeto e ao método.Esta corrente não teve repercussão direta nas escolas de 1º e 2º grau, no entanto, medidas ligadas à política educacional do País, levaram para as escolas livros com saberes geográficos extremamente desviados, empobrecidos em seu conteúdo, desvinculados da realidade então vivida.Na formação de licenciados para a escola de 1º e 2º graus a professora de Pratica de Ensino de Geografia de Rio Claro, Lívia de Oliveira, nas décadas de 70 e 80 produziu textos ligados à metodologia do ensino da Geografia. Mas a influência do grupo de Rio Claro restringiu-se mais a pesquisa em Geografia no nível da Universidade do que no ensino fundamental e médio.

Na década de 70, segundo Pontuschka, as escolas de 1º e 2º grau sofriam com a implantação da disciplina de Estudos Sociais, imposta pela legislação oficial inspirada em modelos pedagógicos norte-americanos, que tinha como intenção eliminar gradativamente a História e a Geografia almejando um novo projeto de escola em resposta à inadequação das metodologias tradicionais.Os Estudos Sociais implantados na rede de ensino após 71, diferia do “Estudos Sociais” nos Ginásios Vocacionais da década de 60. Nessas escolas o que se almejava era um novo projeto de escola em resposta a inadequação das metodologias tradicionais. Características da Escola Nova, que no Brasil, nos Ginásios Vocacionais, segundo Balzan, foi o tratamento cientifico dado aos problemas da educação.O planejamento das atividades curriculares da área de Estudos Sociais estava baseado no seguinte modelo: área-nucleo, círculos concêntricos e estudo da comunidade. Outro aspecto importante era a permanência de dois professores em sala de aula: um de Historia outro de Geografia, garantindo cada especificidade de cada disciplina.

A criação de três tipos de licenciaturas para a formação de professores “polivalentes” para o ginásio, com duração de três anos: Estudos Sociais, Letras e Ciências, fixando em 2025 horas para a integralização do curso foram umas das repercussões da Lei 5692/71 nos Cursos de Formação do Professor.Em 1980, o Conselheiro Paulo Nathanael Pereira de Souza apresentou um projeto de licenciatura plena, que pressupunha numa separação radical entre a licenciatura e o bacharelado, o que enfraquecia a formação científica do professor.A inclusão de OSPB e EMC fragmentaram mais ainda os conhecimentos da História e Geografia, diminuindo a carga horária dessas disciplinas. Os professores de 1º e 2º graus encontravam-se desvinculados da Universidade, aproximando-se para reivindicar veementemente contras as medidas arbitrárias, combater a “falsa disciplina” e solicitar o auxílio daqueles que detêm o poder junto aos órgãos educacionais.Uma obra importante que discute esta época é “Escola, Estado e Sociedade” de Freitag, que avalia a Universidade após a Reforma de 1968, analisando a maneira pela qual essa instituição se comportou diante dos estudantes e como formaram recursos humanos qualificados necessários à futura sociedade.Esta nova Universidade tratada tinha por objetivos básicos: a solução à crise universitária, tendo como principal reivindicação à demanda de vagas e a formação dos recursos humanos para manter a dinâmica do desenvolvimento.Enquanto as escolas particulares proliferavam, sem condições materiais e humanas de realizarem pesquisas, as universidades públicas mantinham o debate sobre a ciência geográfica e o seu ensino.

Na França, principalmente, no pós-guerra continuando nas décadas seguintes, Pierre George, Yves Lacoste, Jean Tricart, procuraram o aprofundamento teórico da Geografia, utilizando o materialismo histórico e dialético nessa reflexão.Esta renovação alcançou todos os locais relacionados ao ensino e aprendizagem de geografia e as transformações não aconteceram linearmente, assim, na década de 80 e 90, continuaram os embates teórico-metodológicos entre as grandes frentes, a disputa entre a Nova Geografia, a Geografia Tradicional e a Geografia Crítica.Os professores sentiram necessidade, como trata Pontuschka, de discutir conceitos, métodos e novas abordagens teóricas par temas constantemente inseridos nas programações de Geografia, muitas vezes, não dominados, do ponto de vista teórico.Na década de 80, a Associação dos Geógrafos Brasileiros teve papel fundamental na promoção de encontros com o objetivo principal de refletir sobre o Ensino de Geografia, atingir as escolas de 1º 2º e 3º grau, descobrindo meios para minimizar a compartimentação dos conteúdos escolares e a distância do ensino de Geografia em relação à realidade social, política e econômica do País.Sendo assim, Pontuschka explana, que foi realizado o “1º Encontro Nacional de Ensino de Geografia”, em Brasília, contando com aproximadamente 2000 pessoas, número esse que refletiu as necessidades e mesmo dificuldades de os professores de Geografia em saber a metodologia a seguir, o que dar e como dar os conhecimentos geografia aos alunos nos diferentes níveis de ensino. A preocupação dos professores com mudanças estruturais na escola, no sentido de garantir a qualidade do ensino, sem considerar a Geografia isolada do contexto do currículo escolar.

Deste modo, a década de 1990 iniciou-se com grandes esperanças para a escola pública, com os professores mobilizados não aceitando as propostas governamentais a disciplina de Estudos Sociais parecia a uma suposta extinção que se deu em 1983, porém deixando um contingente de profissionais formados nessa área que continuaram a existir.As condições de trabalho, juntamente com os salários oferecidos, com aborda o autor, não atraíram os especialistas para o magistério, buscando eles outros campos profissionais ou permanecendo naqueles em que já se encontravam, acarretando uma falta de docentes nas escolas em geral. Sendo este período marcado pela presença de professores de Geografia formandos em outras disciplinas.

Comentário



Este fichamento foi realizado no dia 24/04/2007, individualmente e extra-sala.Teve como objetivo, analisar as transformações da Geografia no Brasil e mostrar algumas práticas de ensino na geografia



Bibliografia


PONTUSHCHKA, N. N. A formação Pedagógica do Professor de Geografia e as Práticas Interdisciplinares. São Paulo, 1994. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação – USP.

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